sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Equipe Verde


Sobrou pra mim  



Quando eu tinha uns 8 anos, mais ou menos, eu morava com minha avó e com a irmã dela, tia Emília. Nossa rua era sossegada, quase não passava carro nem caminhão. 

Eu ia à escola de manhã e de tarde eu fazia minhas lições e ia pra rua brincar com meus amigos. 

Às cinco e meia em ponto minha avó me chamava para tomar banho e rezar, minha avó e minha tia rezavam todas as tardes às seis horas. 

Depois do jantar ficávamos na sala, eu, lendo, minha avó e minha tia bordando ou costurando. 

Televisão a gente só via uma vez ou outra. Minha avó me deixava ver jogos de futebol ou basquete, mas tinha horror a novelas e a programas de auditório. Era chato de matar! 

A luz era muito pouca, que a minha avó tinha mania de fazer economia, ela dizia que não era sócia da Light. 

Então eu cansava de ler e ficava inventando outras coisas pra fazer. Eu ficava desenhando, ficava enchendo os ós do jornal, brincava com as minhas joaninhas… 

Uma vez eu amarrei um fio de linha na perna de um besouro e quando ele voou, com o fio pendurado, minha tia levou o maior susto. 

Uma outra vez, eu inventei uma coisa legal! Enquanto minha avó e minha tia ficavam rezando, às seis horas, eu amarrei um fio de linha na perna da cadeira de balanço. Depois do jantar nós fomos para a sala. Então, de vez em quando, eu puxava o fio e a cadeira dava uma balançadinha. 

No começo elas não viram nada. Até que tia Emília, muito assustada, chamou a atenção da vovó. 

- A Cadeira esta se mexendo sozinha,  socorro!

A avó chamou o netinho e falou:

- É você que está balançando a cadeira?

-Sou eu sim vovó, queria  fazer uma brincadeirinha com a senhora e com a tia Emília!

 A avó deu uma bronca no seu netinho e deixou de castigo, um mês sem sair na rua para brincar com seus amigos, e como aprontou muito, chamou seus pais, tomaram a decisão de leva-lo para casa de seus pais.

Versão dos alunos: Tainá, Murilo, João Victor, Thais, Raquel.

Ruth Rocha   http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/sobrou-pra-mim-634236.shtml


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